Segunda-feira, 01.02.10

Manhã em Basileia, Suíça (por Nagy Albert)

Manhã em Basileia, Suíça (por Nagy Albert)

Basileia – Suíça – é uma cidade de dimensão internacional e, frequentemente considerada, centro cultural da Europa. Na verdade, a cidade é sede de 40 museus, alguns dos mais famosos do mundo, como a Fundação Beyeler (www.beyeler.com) ou o Museu de Belas Artes (www.kunstmuseumbasel.ch), um teatro multidisciplinar, outros 25 pequenos teatros, um teatro para musicais de palco, inúmeras galerias de arte e diversas salas de concerto. A Art Basel (www.artbasel.com), de renome internacional, foi mesmo a primeira exposição do mundo dedicada à arte contemporânea.
Basileia, sendo uma cidade, é também uma região, sendo a mais dinâmica da Suíça e uma das mais produtivas e inovadoras do mundo. Um sucesso que se deve à presença na região de duas das cinco maiores empresas farmacêuticas do mundo. Outras actividades atribuem um poderio económico enorme a Basileia, são exemplo as inúmeras empresas de serviços financeiros, comércio e logística, informática, organização de exposições, design e arquitectura. O modelo de desenvolvimento da região e da própria cidade de Basileia assenta numa forte aposta nas actividades de investigação e formação dos recursos humanos.
O centro da cidade de Basileia é uma verdadeira jóia. Antigo, belo e bucólico, com ruas limpas e seguras, inúmeros espaços verdes e o rio Reno, calmo a trespassá-lo. Encontrará uma ampla escolha de restaurantes e bares, lojas de todos os tipos e infinitas actividades recreativas. Todos estes factores contribuem para uma qualidade de vida ímpar, a que o visitante não fica, não pode ficar, alheio.
Basileia está situada num triângulo que combina a Suíça, a França e a Alemanha, e apesar de a Suíça não fazer parte da União Europeia, não se sente a presença de fronteiras. A cidade trabalha em estreita cooperação com os seus vizinhos nas mais diversas áreas como os transportes, o ambiente, a educação e a cultura. Basileia é também um importante centro de tráfego internacional, possuindo um aeroporto internacional nas imediações, um porto fluvial, uma estação ferroviária e estradas que a ligam a todo o mundo. Será, como fui, muito bem recebido em Basileia.
 
Colmar, Friburgo e Basileia partilham assim o “coração” da Europa. A centralidade e a proximidade transformam estas três cidades num único alvo apetecível para o turismo, a preços razoáveis seguindo algumas dicas, já amplamente repetidas em crónicas publicadas anteriormente. A Easyjet voa diariamente para o EuroAirport (aeroporto internacional de Basel-Mulhouse-Freiburg). Para o alojamento consulte o seu agente de viagens ou reserve em www.booking.com. As deslocações entre as cidades podem facilmente ser realizadas em transportes públicos (recomenda-se o comboio). Se pretende partir à aventura alugue um carro, esta é a melhor forma de viajar pela região e a conhecer em profundidade.
Será difícil que as expectativas do visitante saiam defraudadas numa viagem pela “Europa cultural”, tal o nível de qualidade e oferta turística da região.

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publicado por Carlos Palmeiro às 23:42 | ligação ao artigo / link to the article | comentar / comment | partilhar / share

Basílica de Friburgo

Basílica de Friburgo

Friburgo é a “cidade mais quente e ensolarada da Alemanha”. É atravessada pelo rio Dreisam e cercada pelas montanhas Rosskopf e Bromberg a leste, e ao sul e oeste pelas montanhas Schönberg, Tuniberg e o Kaiserstuhl. Nesta cidade foi travada, em 1644, uma das batalhas mais sangrentas da Guerra dos Trinta Anos, vencida pelos marechais franceses Condé e Turenne.
Friburgo é hoje uma cidade com muito para oferecer: ciência, desporto, cultura e sustentabilidade. “Oferece” ao visitante um clima refrescante todo o ano, uma paisagem ímpar, uma excelente hotelaria e uma gastronomia rica que mescla tradição e modernidade. O seu centro histórico e a multifacetada oferta cultural, com museus, teatros e actividades todo o ano, fazem de Friburgo paragem obrigatória.
Friburgo tem sido na última década escolhida pelas instituições de inovação, desenvolvimento e investigação para instalação de unidades, tornando a cidade um importante pólo tecnológico. As empresas de tecnologia e a excelente universidade fazem da cidade um exemplo no campo das energias limpas. Na cidade podem ser visitados vários exemplos de projectos actuais de energia solar e do ambiente.
Friburgo é também uma cidade cheia de entusiasmo pela vida, numa mistura de pitorescas ruas estreitas, pequenas lojas, boutiques e mercados, basta ter vontade de caminhar e desfrutar. Quanto ao património, em particular, é imenso e valioso o legado. Destaca-se a imponente basílica, “sobrevivente” dos bombardeamentos aéreos realizados pelas forças aliadas durante a segunda guerra mundial. Impressiona, à entrada da basílica, uma antiga fotografia aérea que mostra a basílica ao centro, imponente e intocada, enquanto toda a envolvente jaz, completamente arruinada.
Viajando para leste de Friburgo encontrará, no interior da mística floresta negra, o lago Titisee. Diz-se que tem o nome do imperador romano Tito. É um local magnífico para deambular, calmamente, caminhando pelas suas margens. No final do passeio sente-se à mesa de um dos bons restaurantes nas imediações do lago e aventure-se pela gastronomia alemã. Acredite, é necessário ter um estômago imenso.
(Carlos Palmeiro, Janeiro de 2010, O Jornal de Coruche)
 

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publicado por Carlos Palmeiro às 23:37 | ligação ao artigo / link to the article | comentar / comment | partilhar / share

As regiões da Alsácia, de Basileia e de Baden-Wuerttemberg – França, Suíça e Alemanha, respectivamente – congregam uma riqueza cultural imensa, traduzida numa forte atitude de cidadãos e instituições que, em conjunto, garantem uma hospitalidade que deixa os visitantes livres para se enamorarem das paisagens de parar a respiração e do património impar que as regiões oferecem. Embarcar numa viagem pela Europa central é uma experiência de viagem surpreendente e fascinante, mas também agradavelmente inebriante. Este conjunto regional é um destino turístico internacional, e percebe-se porquê, pela tipicidade e exclusividade da oferta.

Nestas crónicas (em 3 partes) convido-o a viajar por Colmar, Basileia e Friburgo, as três principais cidades das três regiões vizinhas, que partilham identidades e patrimónios. São dos 3 melhores exemplos do melhor que se pode visitar no centro da Europa.
Centro de Colmar, França (por José Cancio Rios)
Centro de Colmar, França (por José Cancio Rios)
Colmar – França – é uma cidade calorosa que manteve ao longo dos tempos um trunfo importante: a sua dimensão humana. Exemplo disso foi a hospitalidade demonstrada pelos naturais no acolhimento de emigrantes portugueses a partir da década de sessenta, com a particularidade de em Colmar se ter estabelecido, porventura, a maior comunidade emigrante proveniente de Coruche em toda a França. Esses emigrantes, hoje perfeitamente integrados, ajudam a moldar uma cidade repleta de história. Mas não é apenas o legado histórico que faz de Colmar uma jóia, toda a envolvente natural, composta por místicas montanhas e diligentes rios, compõe um conjunto digno de admiração.
Colmar, através do seu desenvolvimento, evoca o passado e, simultaneamente, o futuro. Um desenvolvimento baseado em três pilares, história, arte e cultura, e na abertura ao mundo. A cidade tem preservado todos os seus tesouros arquitectónicos, desde o século 13 até à actualidade. O crescimento urbano está em linha com a expansão económica e demográfica. Ao contrário da maioria das cidades históricas europeias, o seu “coração” manteve-se o lugar central das instituições administrativas e da sede de inúmeros negócios. Cidade de arte e cultura, Colmar é internacionalmente conhecida pelo retábulo de Isenheim, uma obra de Mathias Grünewald, que atrai anualmente duzentos mil visitantes ao museu Unterlinden (www.musee-unterlinden.com). É também uma cidade de intercâmbio, sob o signo da abertura ao mundo, fruto da sua localização no centro da Europa, a meio caminho entre as importantes cidades de Estrasburgo (França) e Basileia (Suíça).
Colmar é hoje uma cidade claramente voltada para o futuro que não abdica dos seus alicerces históricos e das suas tradições culturais.
Recomenda-se, ao visitar Colmar, um demorado passeio, ao ritmo harmonioso das belas fachadas e da boa música, pelas inúmeras zonas pedonais. Perca-se nas esplanadas e nas lojas nas imediações do colégio, deambule pelas margens da Pequena Veneza e visite a ilha dos Curtidores. A cidade é facilmente acessível e as áreas mais atractivas estão claramente assinaladas.
Nas imediações da cidade, para leste, encontrará florestas e pradarias que abrangem a área do Reno, grande rio que marca a paisagem. Para o oeste encontrará os vinhedos, inúmeras aldeias medievais e os místicos vales do Vosges.
(Carlos Palmeiro, Janeiro de 2010, O Jornal de Coruche)

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publicado por Carlos Palmeiro às 23:27 | ligação ao artigo / link to the article | comentar / comment | partilhar / share

Sábado, 21.11.09

Devo confessar que antes de visitar a Madeira era um céptico das suas qualidades enquanto território turístico, preconceito que fui alimentando com base numa certa ideia de destino de massa por onde se passeavam alemães, ingleses e franceses sedentos de boa gastronomia, bons hotéis, boa qualidade de atendimento, temperaturas amenas e muito sol a preços relativamente baixos, situação que existindo não é, de forma nenhuma, a marca turística daquela ilha, bem pelo contrário, a Madeira é hoje um destino turístico de excelência em termos mundiais. Na realidade nunca tinha despendido o tempo necessário a informar-me mais concretamente sobre as características endógenas daquele arquipélago, apesar de estar perante um caso de estudo, e de sucesso, no que se refere ao turismo português. Talvez ao meu preconceito se devê-se aplicar o ditado popular que "reza" que a “galinha da vizinha é melhor que a minha”.

 

 
Vista sobre o Funchal a partir da estação de teleférico do Jardim Botânico
Depois de visitar a Madeira, e apenas a Madeira, deixando de fora a Ilha de Porto Santo e as inabitadas Ilhas Selvagens e Desertas, nada mais me restou senão render-me às impressionantes qualidades da ilha. A Madeira surpreendeu-me muito, principalmente os sítios menos procurados pelas hordas de turistas – que também as há a chegar, em cada dia, à Madeira –, que é o mesmo que dizer a face norte e o “miolo” da ilha, que me arrebataram e me conduziram à superação das expectativas negativistas que irracionalmente alimentava. É sabido que o desejo de qualquer destino turístico é conseguir criar condições de superação das expectativas do visitante, esta superação garante publicidade gratuita sobre o destino, consumada precisamente pelo arrebatado turista que vai transmitir uma mensagem positiva, ou muito positiva, sobre o que viu e o que sentiu influenciando potenciais interessados no destino. Cumpro aqui esse papel, como se de uma dívida para com aquela ilha se tratasse. Deixei-me encantar pela ilha encantada e é com prazer que a recomendo.
A grande vantagem da Madeira, e que nos permite com maior facilidade dela usufruir, especialmente aos portugueses continentais por afinidade, é a curta viagem de avião para lá chegar – para os mais incrédulos sobre as virtudes da aviação também há solução, os navios de cruzeiro que ligam Portimão ao Funchal, e vice-versa, em cerca de 24 horas, opção mais demorada e dispendiosa –, viagens de avião que se tornaram desde à um ano substancialmente mais económicas com a entrada no mercado da Easyjet, uma companhia aérea low cost britânica – que pratica um conceito de viagem a baixo custo na qual o passageiro abdica de comodidades a bordo, não da segurança de voo, em detrimento de uma melhor tarifa – que veio romper a hegemonia monopolista das companhias portuguesas Sata e TAP que aliadas, como se fossem apenas uma, impunham preços bastante elevados, afastando os menos endinheirados e tornando o destino relativamente elitista. A entrada da companhia britânica na rota Lisboa-Funchal-Lisboa veio introduzir verdadeiramente o factor concorrencial e tornar transparente o mercado, conduzindo à diminuição média das tarifas em cerca de 75%. Hoje voamos para a Madeira, seja na TAP, na Sata ou na Easyjet por 60,00€ - com reserva antecipada – ida-e-volta, à um ano tínhamos que desembolsar 250,00€.
Para além dos “pormenores” que refiro, misturados com algumas dicas, sobre a Madeira muito há a contar, é fácil escrever sobre ela, tantos que são os motivos de interesse. Convido-o então a realizar uma pequena visita guiada, a visita possível, por alguns dos aspectos mais marcantes, e que mais me marcaram, da ilha da Madeira.
 
Cabo Girão, o mais alto promontório da Europa
O arquipélago da Madeira encontra-se situado no oceano Atlântico, distando 500 km’s da costa africana e 1000 km’s do continente europeu, ou seja a cerca de uma hora e meia de voo a partir da cidade de Lisboa.
A paisagem da ilha, caracterizada por densas e verdejantes montanhas, o clima ameno ao longo de todo o ano, a hospitalidade – a boa maneira de receber dos madeirenses marca e deixa saudades –, a tranquilidade e a segurança são alguns dos atributos que a Madeira oferece, com grande nível e qualidade.
Apesar de representar uma área pequena, a Madeira é extraordinariamente rica em cenários de rara beleza, com “recantos e encantos” de um verdadeiro jardim flutuante. E acredite, a ilha é mesmo, toda ela, um jardim, com ambientes onde se respiram as mais diversas e agradáveis fragrâncias, humanas, sociais e florais.
A Madeira apresenta as suas localidades divididas pelo Funchal, a capital de todo o arquipélago, o Caniço, a Costa Leste – Santa Cruz e Machico –, a Costa Oeste – Câmara de Lobos, Ribeira Brava, Ponta do Sol e Calheta –, a Costa Norte – Porto Moniz, São Vicente e Santana – e o Porto Santo. Em direcção a oeste, saindo do Funchal, encontra a cidade de Câmara de Lobos e o Cabo Girão, o mais alto promontório da Europa e o segundo mais alto do mundo com cerca de 580m. Ainda no concelho de Câmara de Lobos encontrará a freguesia do Curral das Freiras, situada num vale profundo é aqui se encontram algumas das mais impressionantes paisagens da ilha, declives vertiginosos sucedem-se, alguns com mais de 500m de altura, como é o caso do miradouro da Eira do Serrado. As extravagantes realizações da natureza neste vale remetem-nos, pelo relevo alucinante e pela vegetação respigada, para um cenário imaginário onde os impactos, e impactes, da presença do homem ainda não se vislumbravam.
Continuando para oeste encontramos a vila da Ribeira Brava, a partir daqui é obrigatório subir até à Encumeada, num percurso recheado de miradouros que permitem a contemplação dos cumes montanhosos circundantes. Outra opção a partir da Ribeira Brava é seguir em direcção às solarengas Ponta do Sol e Calheta, duas zonas que se destacam por oferecer boas condições balneares que convidam, de inverno ou de verão, a banhos – a temperatura média anual do oceano que banha a Madeira ronda os 20º C. Ao lado, nas pitorescas vilas de Jardim e do Paul do Mar, encontramos as melhores ondas da Europa para Surfar.
Paisagem montanhosa no centro da ilha da Madeira
Rumando ao centro da ilha, em direcção ao Paul da Serra, encontramos o maior planalto da Madeira, sítio ideal para uma pausa contemplativa com vista sobre as encostas norte e sul da ilha. Descendo rumo ao Porto Moniz encontramos as piscinas naturais da localidade, formadas naturalmente por restos de lava que escorreram para o Atlântico.
Vista sobre a vila de Porto Moniz
A viagem pela costa norte da ilha é das mais impressionantes que poderá realizar junto ao mar em território português. É um traçado verdadeiramente fascinante e completamente diferente da viagem pela costa sul e oeste. Neste percurso, se puder, fuja aos quilómetros de túneis recém-construídos – nem sempre é fácil ou permitido – que, embora facilitadores do quotidiano dos insulares, evitam ao turista “com tempo” algumas das mais belas vistas que se podem ter desta costa selvagem, bem diferente da “outra face”, bem mais calma. De Porto Moniz segue-se rumo a São Vicente por uma estrada salpicada de quedas de água, ladeada por uma exuberante floresta nativa de um lado e de um majestoso azul cristalino das águas do mar do outro. Em São Vicente vale a pena visitar as ruelas da simpática vila e visitar os seus núcleos museológicos. Seguindo em frente, junto ao mar, encontramos Santana, antes de lá chegar é obrigatório ir parando nos pequenos miradouros ao longo do percurso. Em Santana visite as casas típicas ou o parque temático, não guarde no entanto muitas expectativas em relação às casas típicas, é que já não há muitas e o impacto visual causado pelas montanhas é bem maior. A zona das Queimadas, junto a Santana constitui o local de partida para belíssimos passeios a pé, como do Caldeirão Verde.
Casas típicas em Santana
De Santana, descendo para o Faial, surpreende, de novo, a paisagem. Montanhas imponentes e belas repetem-se. A partir do Faial são duas as principais opções a tomar, seguir para Machico ou flectir para o interior da ilha seguindo uma rota pelas localidades do Ribeiro Frio, Poiso e Pico do Areeiro, o terceiro ponto mais alto da ilha com 1818m, nele se encontram “belas formações rochosas que se projectam no céu como estátuas sem tempo”. A rota para Machico “obriga” a uma extensão da visita ao Caniçal e à Ponta de São Lourenço, o ponto mais oriental da ilha.
Ponta de São Lourenço, o ponto mais oriental da ilha da Madeira
A natureza da Madeira é um dos seus maiores atractivos turísticos, uma luxuriante e variada vegetação, parte dela endémica ou exclusiva da Macaronésia – nome moderno que designa um conjunto de ilhas do Atlântico Norte, perto da Europa e da África, nomeadamente os arquipélagos dos Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde –, que apresenta uma combinação de características tropicais com mediterrâneas, originando um manto vegetal sui generis. É neste contexto natural que ocorre a Floresta Laurissilva, declarada património da humanidade pela UNESCO, que ocupa cerca de 20% da área da ilha da Madeira.
A Madeira é também conhecida pelas harmoniosas formas e contrastes proporcionados pelas inúmeras plantas exóticas oriundas de quase todos os continentes e que se encontram por muitos jardins, grandes e pequenos, da ilha. Devido às excepcionais condições climáticas da ilha podem, ao longo de todo o ano, e em ambiente natural, florescer várias espécies florais que podem ser admiradas. São os casos das orquídeas, as estrelícias, os antúrios, as magnólias, as azáleas, as proteias entre muitas outras.
Esta crónica, ou guia de sugestões, como queira chamar-lhe, ficaria certamente incompleto sem menção à gastronomia madeirense. Na Madeira encontrará uma gastronomia típica regional à base de produtos alimentares de grande qualidade – a gastronomia é, de facto, inesquecível –, são disso exemplo os pratos à base de lapas, polvo, camarão, bife de atum ou filetes de espada, a espetada de carne de vaca assada em espeto de pau de louro, acompanhada pelo bolo do caco, o bolo de mel e os rebuçados de funcho.
A visita a esta “ilha de beleza invulgar” possibilita muitas outras opções para além daquelas aqui descritas, refiro-me, por exemplo, aos passeios a pé pelas “levadas” – as levadas são um engenhoso e admirável sistema de irrigação construído no passado para transportar a água das nascentes no cimo das serras para zonas com menos água –, as opções de saúde e bem-estar que podem ser encontradas em inúmeros locais da ilha – são exemplos a talassoterapia, a hidromassagem, os banhos turcos, as massagem, os centros de estética, entre outros –, enfim, as atracções são muitas, aventure-se de espírito aberto – estado de alma que não é difícil atingir na Madeira.
 
Viajar para a Madeira é hoje mais simples e mais económico do que era no passado. Hoje a principal dica que se pode dar ao potencial viajante é a recomendação de poupança de dinheiro na viagem de avião, no aluguer de carro e no alojamento, para que possa gastar um pouco mais nas atracções que a ilha oferece, desde as visitas aos inúmeros locais de interesse à experimentação da excelente gastronomia. Pessoalmente recomendo que viaje sem o espartilho que as viagens organizadas, comercializadas pelos operadores turísticos, implicam, reserve você mesmo pela internet – peça ajuda se não estiver familiarizado com este meio –, junte um grupo de amigos e aventure-se “com liberdade” e com tempo pela Madeira, a ilha é um sítio ideal para este estilo de viagem, estamos em Portugal.
Reserve o seu voo directamente no sítio na internet da companhia área que preferir (Tap – www.tap.pt, Sata – www.sata.pt ou Easyjet – www.easyjet.com), faça-o com cerca de 3 meses de antecedência, usufruirá assim da melhor tarifa disponível. Em simultâneo com a reserva do voo reserve o aluguer de uma viatura, reservando em conjunto, voo e carro alugado, usufrui de tarifas mais reduzidas de aluguer. Se for adverso às viagens de avião, escolha viajar por mar com a única operadora que realiza a ligação à Madeira, a espanhola Naviera Armas (www.navieraarmas.com), com ligação ao Funchal a partir de Portimão, com esta opção leve o seu próprio carro. Para reserva de alojamento recomendo que o faça também através da internet através do Booking (www.booking.com), reserve em regime de alojamento e pequeno-almoço e liberte-se dos horários fixos de outros regimes (meia-pensão e pensão-completa), com o dinheiro que poupa experimente em cada dia novos espaços e novas gastronomias.

 



publicado por Carlos Palmeiro às 20:28 | ligação ao artigo / link to the article | comentar / comment | partilhar / share

Domingo, 18.10.09

Inicio hoje a publicação de um conjunto de 100 crónicas escritas em castelhano pelo cineasta espanhol Gerardo Olivares, reconhecido internacionalmente, sobretudo, pelo seu vasto trabalho ficcional/documental sobre os mais variados aspectos da geografia mundial. Gerardo propõe-nos uma ambiciosa viajem pelos 100 lugares que devemos conhecer antes de desaparecer da face deste fascinante planeta. Esta proposta, que tem muito de romântica e aventureira, possui também o dom de nos fazer sonhar, sonhar com o exótico e com o distante, despertando-nos para a aventura e para a reflexão.

Pessoalmente tenho a pretensão de ir traduzindo as 100 crónicas que vão sendo publicadas por Gerardo, deixando de lado as restantes propostas que o autor faz (como chegar, onde dormir, onde comer e outros dados úteis). Tendo interesse nestes aspectos, que transcedem a crónica, o leitor das versões publicadas neste blogue, deverá visitar o sítio original da publicação, aqui.
Boa viagem…
 
Por Gerardo Olivares *
Montanhas Altái, Bayan Olgiy - Mongólia
Caçando com Águias
Marcando uma fronteira geográfica com o Cazaquistão, a China e a Rússia, as Montanhas Altái (ver no Google Maps), a oeste da Mongólia, são uma das paisagens mais dramáticas, bonitas e constrangedoras da Ásia. Apesar da sua beleza esmagadora, a vida aqui é tão dura que apenas os bertkuchis têm sido capazes de sobreviver nestas terras ermas assoladas pelo vento, onde as temperaturas de inverno podem chegar aos -40º C.
Falcoeiro com a sua águia-real com o seu chapeu de seda e pele de raposa
A primeira vez que viajei ao Altái fi-lo por terra, a bordo de um Land Rover, desde a distante capital Ulan Bator. Levei seis dias para percorrer 1700 quilómetros, conduzindo por pistas que me permitiram descobrir um país fascinante e escassamente povoado. O meu objectivo era filmar um documentário sobre a tribo bertkuchis, um povo nómada que pratica a nobre arte da falcoaria desde que apareceram como grupo étnico há mais de seiscentos anos.
O meu destino era a pequena povoação de Buyán onde me esperava Kumarkán, um dos melhores falcoeiros de Altái. Estava ansioso para começar a filmagem, percorrer a cavalo com Kumarkán e os seus amigos os picos de Altái e poder filmar as Águias-reais a caçar lebres, raposas e, com sorte, também lobos. Mas o que eu não sabia é que nesta época do ano as aves de rapina não voam porque estão a mudar a plumagem. Quando terminei de colocar a câmara e o tripé para filmar os primeiros planos, Kumarkán olhou-me perplexo e disse: «Mister Eraldo, no, no, no… Eagle flight, niet».
No final de Novembro, o termómetro do aeroporto de Ulan Bator marcava -27 º C. O velho Antonov da MIAT (Linhas Aéreas da Mongólia) descolava rumo a Bayan Olgiy no meio de uma forte ventania. Regressava novamente a Altái, mas desta vez por via aérea e na época oportuna para filmar as águias a caçar.
Terras Altas
Kumarkán desceu das montanhas com o gado para passar o inverno numa pequena casa de madeira e barro no vale de Argalis. Ele é de origem cazaque, como o resto da bertkuchis, que se viram forçados a fugir das suas terras no século XVII, numa fuga causada por guerras tribais. Na maior parte do ano vivem nos Ger, uma espécie de tenda circular característica dos nómadas da Ásia Central que é considerada a mais perfeita construção móvel dos nómadas que se deslocam pelo mundo.
Nas Montanhas Altái as temperatura podem chegar aos -40º C
O falcoeiro esperava por mim usando um casaco de veludo chamado Chapan e o característico Kepesh, um chapéu de seda e pele de raposa decorado com penas de coruja e riscas pretas que representam os versículos do Corão, uma espécie de amuleto que os protege e lhes traz boa sorte durante as caçadas.
Sobre o braço direito de Kumarkán posa a inseparável Bertkut, uma magnífica Águia-real capturada há cinco anos. Kumarkán começou a aprender a nobre arte da falcoaria quando tinha apenas seis anos de idade, na sua família a arte sempre foi uma grande tradição. Altaikán, o seu pai, é um dos caçadores mais respeitados da região, e para qualquer família ter um falcoeiro como membro é um sinal de prestígio e prosperidade. Só os que possuem muito gado se podem dar ao luxo de criar e treinar águias, uma vez que é um desporto praticado na Ásia Central apenas pela elite.
Dentro do GER
Os bertkuchis capturam as águias com redes ou quando acabam de comer muito e não conseguem voar. No primeiro mês permanecem no interior do GER para que se acostumem aos sons e aos cheiros. Então, durante as semanas seguintes, são treinadas para manter o equilíbrio no braço do cavaleiro enquanto cavalga. Finalmente, o mais difícil, é ensiná-las a regressar de volta para seu "dono" após serem libertadas.
Apenas os bertkuchis se tem mantido nas paragens ermas das montanhas Altái
Desde que as águias são capturadas permanecem junto ao treinador, inclusivamente dormem ao seu lado. Os caçadores usam sempre para caçar águias-reais fêmeas porque são consideradas muito mais agressivas do que os machos. Com uma envergadura de dois metros e um peso de sete quilos, duas das suas grandes qualidades a caçar são a velocidade que podem alcançar quando mergulham, na ordem dos 160 km/h, e a extraordinária visão que possuem, cerca de oito vezes mais apurada do que a humana.
Durante duas semanas percorri com os bertkuchis uma boa parte do Altái caçando com águias e dormindo nas casas dos nómadas que encontrava-mos pelo caminho. Esta viagem permitiu a descoberta de um povo fascinante que se tornou, um ano depois, num dos protagonistas do meu primeiro filme de ficção, O Grande Final (ver trailer).
* Crónica, em castelhano, e fotografias de Gerardo Olivares (elmundo.es Viajes - OCHOLEGUAS.com). Tradução para português por Carlos Palmeiro. Siga as próximas crónicas através da tag “100 lugares

 



publicado por Carlos Palmeiro às 14:34 | ligação ao artigo / link to the article | comentar / comment | partilhar / share

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